quarta-feira, 16 de julho de 2008

mercosul 1 (REPOSTAGEM BEM VÉIA)

O Mercosul promete! Se não pelas travadas relações comerciais, mas sobretudo pelos inúmeros e atraentes recursos naturais (aqüífero guarani, biodiversidade, rio amazonas, espaço para agricultura e diversos rios para alagar áreas imensas e gerarem energia com hidrelétricas). Josias de Souza já aponta uma articulação nesse sentido. Talvez a vocação de união Sul americana esteja calcada em dois pontos, oxalá seja o primeiro.
Um, é unir países para determinadas ações em torno de um tema que atinja os envolvidos, por exemplo, combate a desertificação (Brasil, argentina, Chile, Bolívia), ou quem sabe um fórum permanente e atuante sobre o aqüífero Guarani envolvendo o cone-sul. Essas ações já existem, por certo, mas talvez devessem ser deslocados para o centro do Mercosul, saindo do desfocando o lado comercial para focar o uso (recursos naturais) e desenvolvimento (das populações) da América do Sul. Outra forma de união Sul americana é uma possível militarização da região, que é importante até para defender seus (nossos) recursos, mas caçar assunto se armando é caçar problema.
Tanto os fóruns como a militarização podem ocorrer juntos, mas qual lado estamos mais propensos? Para onde estamos indo?
Segue abaixo post de novembro de 2006 de Josias de Souza.

Numa fase em que o Ministério da Defesa tem dificuldades até mesmo para controlar o tráfego aéreo nacional, o governo Lula prepara-se para alçar um vôo ambicioso. O Brasil irá propor aos demais países da América do Sul a criação de uma força militar conjunta do continente. Funcionaria nos moldes da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).
A proposta fica pronta em 2007, o primeiro ano do segundo mandato de Lula. Está sendo elaborada pelo
NAE (Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência). Integra o Projeto “Brasil 3 Tempos”. Trata-se de um plano estratégico para converter o Brasil numa “nação desenvolvida” até 2022, ano em que se o país irá celebrar os 200 anos de sua independência.
O “Brasil 3 Tempos” é um projeto concebido em 2004, para definir metas estratégicas para o governo em 50 áreas distintas –da política cultural à
nanotecnologia. Deve-se ao próprio coronel Oliva Neto a revelação de que o programa de cooperação militar dos países sul-americanos é um apenso do capítulo “Sistema de Defesa Nacional”, um dos 50 temas de que vem se ocupando o NAE.
O coronel compareceu a um seminário em que foram debatidos temas de interesse do Brasil e da União Européia. Deu-se em Brasília. O encerramento foi há dois dias. Falando no encontro, Oliva Neto disse que a força militar conjunta do Cone Sul visa, entre outras coisas, “impedir uma aventura militar ou uma pressão de um país sobre a região ou sobre uma nação sul-americana.” Suas declarações foram resumidas em texto veiculado no
sítio do PT.
Embora Lula tenha declarado que não deseja exercer o papel de líder latino-americano, o coronel disse que, para que a Otan latina se torne realidade, será necessário que o presidente exerça sua “liderança política.” A conclusão do projeto ainda vai levar, segundo disse, alguns meses. Depois de concluído, será submetido aos governos dos países do
Cone Sul e do Pacto Andino.
Além da defesa territorial, a união das forças militares serviria, na opinião do coronel, para a defesa das riquezas naturais do continente. Mencionou as reservas petrolíferas, O coronel Oliva acredita que o continente tem um volume respeitável de petróleo, de água e a biodiversidade. São temas que, na avaliação do coronel, provocam “estresse internacional”.
Para o coronel Oliva Neto, “há uma tendência, em médio prazo, de risco de uma tentativa de pressão internacional sobre a América do Sul, através da área militar”. Daí a necessidade de união continental das forças militares.
O tema tem potencial para deixar Washington de cabelo em pé. A administração de George Bush olha de esguelha para administrações como a de Hugo Chávez, na Venezuela, e de Evo Morales, na Bolívia. E não há de ver com bons olhos a junção dos exércitos desses países com as Forças Armadas das demais nações da América do Sul.

De resto, num instante em que o governo discute um pacote fiscal e que se prepara para mostrar o tamanho da tesoura do segundo mandato, são no mínimo inusitados os planos de expansionismo militar. Sobretudo se for considerado o fato de que, no Brasil dos últimos anos, Exército, Marinha e Aeronáutica têm manejado mais o pires da penúria do que o equipamento bélico.

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