segunda-feira, 8 de setembro de 2008

GIGANTE VERDE DISCRETO


DA FOLHA DE SÃO PAULO
JORGE SOUFEN JR

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, 63, disse ontem, em sua primeira visita ao Brasil, que ficou impressionado com os esforços do governo brasileiro em produzir energia renovável. Para o líder das Nações Unidas, o Brasil é um "gigante verde discreto".

Ele esteve ontem na Usina Santa Adélia, de Jaboticabal (SP), onde conheceu uma plantação de cana-de-açúcar e etapas da produção de álcool. Ele conclamou líderes mundiais a estarem mais atentos para o "sucesso" do Brasil no setor.

"Aprecio bastante o trabalho que o governo brasileiro tem feito. O mundo não consegue entender muito bem até onde o Brasil chegou nessa área. O Brasil é, efetivamente, um gigante verde discreto", afirmou o secretário-geral em discurso.

Para ele, o país tem sido líder no combate aos problemas climáticos desde a ECO-92. "Estou impressionado com o que vi até agora e com o esforço do governo brasileiro em produzir energia renovável", disse.

O secretário-geral também se mostrou preocupado com aspectos ambientais e sociais decorrentes da produção de biocombustíveis no Brasil. "Claramente, a bioenergia tem grande potencial para o bem. Talvez possa causar alguns danos. São os governos que detêm a responsabilidade de criar um balanço entre os custos sociais e os benefícios [da produção]."
"Como secretário-geral das Nações Unidas, queria que houvesse uma preocupação com o bem-estar dos trabalhadores, não somente na manutenção de seus empregos como também nas condições apropriadas e de vida", disse.

Ki-moon também sugeriu o debate sobre a segurança alimentar. "Eu sei que existem várias controvérsias na área da bioenergia. Que a terra, que é atualmente utilizada para plantar alimentos, venha a ser utilizada para a produção de energia. A pesquisa tecnológica deve continuar para resolver essas questões", afirmou.

A visita do líder das Nações Unidas ao Brasil tem como foco as alterações climáticas do planeta. Ele participará, em dezembro, de uma conferência em Bali (Indonésia), onde líderes mundiais darão início à criação de um documento sobre a redução de emissões de carbono.
O secretário-geral ficou aproximadamente uma hora e meia na Usina Santa Adélia. Assistiu a um vídeo institucional no centro administrativo da empresa, conheceu uma colheitadeira em uma plantação de cana-de-açúcar, passou pela área de moagem e discursou no armazém da usina.

Ele partiu ontem mesmo do aeroporto Leite Lopes, em Ribeirão Preto, para Brasília. Hoje, a agenda prevê reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Vou me reunir com o presidente Lula e vamos discutir essas e outras questões envolvendo o problema das mudanças climáticas."

Para o presidente da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Marcos Sawaia Jank, Ki-moon ficou impressionado com as tecnologias brasileiras para a produção do álcool. "A visita foi muito importante para que a ONU se torne, cada vez mais, um aliado da nossa causa: levar à frente os biocombustíveis no mundo."

Com cerca de 2.500 funcionários, a Santa Adélia tem mais de 50% de sua produção mecanizada -sem queimadas, portanto- e é modelo em geração de energia elétrica produzida a partir do bagaço da cana.


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Qual versão do Brasil você acha mais factível com os dias de hoje? A versão do Ki-Moon com : “O Brasil é, efetivamente, um gigante verde discreto”
Ou
A versão do Tim Maia: “o Brasil é o único país do mundo onde a puta goza, o cafetão sente ciúmes, o traficante é viciado e o pobre é de direita.

De todo modo, mais uma vez fica provado que existem dois brasis, o que dá certo esta cada vez mais distantes do que não dá.
Ou será que etanol, petróleo novo, copa14, soja e urânio são recursos geradores de justiça social, educação, saúde, autonomia ou qualquer um desses?


3 comentários:

capitão disse...

hum...


"as vezes eu tenho medo desse potencial energetico do Brasil"


flw...

thiagokoutzii@hotmail.com disse...

acho que medo não é o mais correto, pq ele pode imobilizar determinadas atitudes!
éiinevitável q galguemos mais espaço no miundo, o que irrenediavelmente, trará mais res´popnsabilidades e seriedade de parte de todos!
seriedade essa q deve exigir melhor educação pblica das idades mais novas, e claro, distribuição de renda através de mecanismos mais eficientes e menos assistencialistas q o renda mínima...
caso contrário, pode ir ficando com medo mesmo, ou vamos ralar, na correria pra fazer a parada dar certo, ou menos errado.
ab

Tarso Loureiro disse...

Só não esqueçamos que é o Brasil "de baixo" que sustenta o Brasil "de cima".
Um dos fatores primordiais para a energia de cana ser tão rentável é sua produtividade e a relação custo x benefício. Por exemplo, se o petróleo voltar a US$ 40,00, o megapoço brasileiro não vale o investimento para a produção. Da mesma forma, se os trabalhadores rurais dos canaviais não fossem mão de obra semi-escrava (esse ano já morreram uns 8 por exaustão) o alcool seria bem mais caro e, literalmente, não valeria a pena.

Perguntar não ofende: alguém levou o secretario-geral da ONU para uma conversa com os represantantes dos trabalhadores?